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Dia da Filosofia 2007 - Como se Faz um Filósofo, de Colin McGinn. Por Aires Almeida

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Como Se Faz Um Filósofo

 

Colin McGinn

 

 

 

Colin McGinn é um dos mais prestigiados filósofos da actualidade, tendo-se destacado naquela que, nas duas últimas décadas, se tem revelado uma das mais efervescentes e entusiasmantes disciplinas filosóficas: a filosofia da mente. Alguns dos seus livros são estudados e discutidos por filósofos e cientistas, um pouco por todo o mundo. Em particular, a sua teoria céptica acerca do problema da consciência – talvez o principal problema da filosofia da mente – tem dado muito que pensar não apenas aos filósofos da área, mas também aos psicólogos cognitivos, aos neurocientistas e, em geral, aos cientistas cognitivos. Esse cepticismo acabou por o levar, mais recentemente, a explorar outras áreas da filosofia, como a ética e a estética.

 

Quando, há cerca de cinco anos, vi pela primeira vez numa livraria portuguesa a edição inglesa deste livro, fiquei surpreendido e decidi abri-lo para ver o que, desta vez, McGinn tinha para dizer sobre os filósofos e a filosofia. Em pé, li o prefácio e o primeiro capítulo; só as pernas e a vergonha me impediram de ler, ali mesmo, o livro todo. Tive de o comprar. No dia seguinte já estava todo lido. Só lamentei duas coisas: ter terminado tão depressa e não haver uma boa tradução portuguesa. Felizmente, agora só já lamento uma delas, pois está aí a tradução que se impunha. Mas o que tem este livro de tão especial?

 

O que tem de especial é mostrar-nos, passo a passo, como um descendente de mineiros ingleses se tornou no primeiro membro da família a estudar numa universidade e, mais do que isso, como é que esse jovem acabou por se tornar um filósofo de prestígio mundial. Mas o mais importante é que, ao contar a sua história pessoal, nos convida constantemente a filosofar sobre os mais diversos problemas da filosofia, tal como lhe aconteceu quando foi pela primeira vez confrontado com eles. O resultado é um exemplo vivo da filosofia, em que os problemas – da existência de Deus ao determinismo, passando pelos problemas centrais da filosofia da linguagem, da filosofia da mente, da epistemologia e da estética – ganham uma clareza inesperada e estimulante, proporcionando-nos uma viagem fascinante pela filosofia do século XX. Tudo isto de uma forma clara, descontraída e bem-humorada, sem a mais leve semelhança com um manual escolar. Como se Faz um Filósofo é, de resto, contrastante com a caricatura filosófica que se encontra em livros como O Mundo de Sofia, em que a filosofia não passa de uma relíquia de museu embrulhada numa sebenta disfarçada de romance. Até porque o livro de McGinn desmistifica alguns dos lugares-comuns mais tolos acerca do que é ser filósofo, mostrando-nos quão infantil é a ideia de que os filósofos são uma espécie de semi-deuses ou, então, seres lunáticos e taciturnos. Neste livro temos um filósofo de carne e osso. O sonho de McGinn quando jovem era ser desportista ou baterista numa banda de rock – continua, aliás, a tocar bateria. Era já um filósofo conhecido e ainda perdia algumas horas com os jogos de vídeo e a prática de bodyboard, que nunca abandonou.

 

Este livro foi escrito numas férias de Verão, numa praia de Long Island. Começa assim: «O objectivo deste livro é explicar o que é a filosofia de uma forma acessível e atraente». E termina assim: «Agora acho que vou sair para remar um bocado».

 

Aires Almeida

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