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Dia da Filosofia 2007 - Princípios de Filosofia, de Descartes. Por Lázaro Fernandes

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Princípios de Filosofia

 

Descartes

 

 

Este livro foi escrito por René Descartes, um dos criadores da filosofia moderna cujo pensamento constitui um verdadeiro marco na história da filosofia. Os Princípios da Filosofia foram escritos em latim e publicados em 1644. A tradução francesa foi publicada em 1647, permitindo assim que lida por mais pessoas e que fosse melhor compreendida. Descartes ao publicar este livro tinha dois objectivos. Em primeiro lugar, dar a conhecer o principal da sua filosofia e em segundo que fosse adoptado como manual a seguir nas escolas da época, em substituição da filosofia escolástica, ainda de cariz aristotélico. Por isso segue a mesma estrutura dos manuais da época, na forma de artigos, precedidos de breves resumos.

 

Esta obra é composta por 504 artigos, divididos em quatro livros. O primeiro trata dos princípios do conhecimento humano, tem 76 artigos e este texto tem por base apenas esta parte. O segundo expõe os princípios das coisas materiais, o terceiro explica, a natureza do universo físico visível, e o quarto trata de vários fenómenos terrestres, como a humidade, o calor, os tremores de terra etc.

 

Esta obra começa com duas cartas escritas por Descartes. A primeira é dirigida à Sereníssima Princesa Elizabeth, a quem é dedicada esta obra, e a segunda ao tradutor do livro para francês, a qual serve de prefácio. Aqui aparece a reflexão sobre a natureza e o papel da filosofia. O primeiro livro sobre os princípios do conhecimento humano pode ser subdividido em três partes. Da primeira, (artigos 1 a 23) consta a necessidade da dúvida como meio para o conhecimento da verdade, pois é através da dúvida que chega à primeira certeza «cogito, ergo sum». Esta parte inclui ainda a demonstração da existência de Deus através das três provas. Na segunda parte (artigos 24 a 74) Descartes faz uma análise do erro e suas causas, defendendo que este não pode ser atribuído à vontade divina, mas somente ao mau uso que fazemos das nossas faculdades. A terceira parte (artigos 75 e 76) é a conclusão, onde se sintetiza o que é preciso para nos ocuparmos do estudo da filosofia: devemos libertar-nos dos nossos preconceitos, rejeitar as opiniões recebidas, até as examinarmos, rever as noções que estão em nós, e só aceitar como verdadeiras as que se apresentam como claras e distintas.

 

Lázaro Fernandes

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