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O Que Sócrates Diria a Woody Allen
Juan António Rivera
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Juan Antonio Rivera nasceu em Madrid em 1958 e é professor de filosofia do ensino secundário em Barcelona. Tem vários livros editados e participa regularmente em diferentes revistas de filosofia. O que Sócrates diria a Woody Allen é a sua primeira obra sobre cinema e filosofia, premiada com o Prémio Espasa de Ensaio 2003.
Rivera define este livro como «uma introdução à filosofia para amantes de cinema e, simultaneamente, uma introdução ao cinema para amantes de filosofia». A estratégia consiste em apresentar e discutir os problemas, as teorias e os argumentos filosóficos a partir do cinema, utilizando uma escrita clara e acessível ao grande público. A divulgação da filosofia com recurso ao cinema é uma tendência recente que tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos, quer entre os professores de filosofia do ensino secundário, quer, inclusive, entre professores catedráticos de conceituadas universidades dos E.U.A., Inglaterra e Espanha, principalmente. Refiram-se, por exemplo, os já clássicos Taking the red pill. Science, Philosophy and Religion in The Matrix, de G. Yeffeth e The Matrix and Philosophy. Welcome to the desert of the real, de W. Irwin; ou, ainda, Philosophy goes to the movies. An introduction to philosophy, de Christopher Falzon e Matrix. Filosofía y Cine, de Concepcíon Pérez García, este último vencedor em Espanha do Prémio Aula 2006, que distingue trabalhos originais da autoria de professores. A última «aventura» nesta área é a colecção americana «Popular Culture and Philosophy» (os autores, sob a coordenação do catedrático W. Irwin, são maioritariamente professores universitários de filosofia), cujas obras relacionam a filosofia não apenas com o cinema, mas também com as séries de televisão, a banda desenhada, a literatura ou a música. Alguns dos mais recentes livros desta colecção têm os títulos sugestivos de A família Soprano e a filosofia, Seinfeld e a filosofia, Super-heróis e a filosofia, Os Simpsons e a filosofia, Harry Potter e a filosofia ou O Hip-Hop e a filosofia...
O que Sócrates diria a Woody Allen é essencialmente uma iniciação à ética. A maior parte dos temas/problemas pertence ao património perene da filosofia: o amor, a morte, a felicidade, a racionalidade, o mal, a acrasia, o acaso, a formação do gosto moral, entre outros. Mas há também teorias filosóficas que são convocadas, ilustradas e analisadas de modo por vezes surpreeendente. A alegoria da caverna de Platão, a hipótese do génio maligno de Descartes e a máquina de experiências de Robert Nozick são disso exemplo. Quanto aos 25 filmes seleccionados pelo autor, o principal critério de escolha foi a sua relevância filosófica e, só depois, a qualidade estética. A selecção inclui desde clássicos a filmes mais recentes, que têm o condão de criar em nós, leitores, uma fascinante «reminiscência» cinematográfica. Além disso, desperta-nos um renovado interesse por filmes já vistos e quase esquecidos ou, ainda, por aqueles filmes nunca antes vistos cuja vontade de ver já tinha sido esquecida. A título de exemplo: Casablanca, Blade Runner, Citizen Kane, Desafio Total, Há Lodo no Cais, Matrix, Laranja Mecânica, Hannah e as suas Irmãs, Truman Show, O Efeito Mariposa, Parque Jurássico, etc., etc.
Para o grande público, este livro é uma excelente oportunidade de se familiarizar com a filosofia e os seus problemas e teorias. Para os professores de filosofia, é uma autêntica lufada de ar fresco que proporcionará, decerto, uma brainstorming fascinante e imprevisível, um «laboratório» sempre renovado de ideias e estratégias inesgotáveis. Imagine-se, por exemplo, esta espécie de trailer filosófico: como distinguir a realidade da ilusão? Será possível que um ser mau e poderoso me esteja a fazer sentir e pensar que é real o que, afinal, não passa de uma mentira perversa? Uma sugestão para os alunos: coloquem-se no papel de Neo e Truman e… pensem!
O que Sócrates diria a Woody Allen é um desafio que coloca frente a frente o mais antigo dos saberes com a mais recente das artes. Atreva-se e aceite-o: take the red pill…
Carlos Café |








