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Dia da Filosofia 2007 - Mais Platão, Menos Prozac! de Lou Marinoff. Por Amélia Flor

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Mais Platão, Menos Prozac!

 

Lou Marinoff 

 

 

A duração da vida não passa de momento,

a matéria é um fluir,

a alma é um turbilhão,

a fortuna fugidia…

o que é que existe capaz de guiar um homem?

a filosofia.

                                              Marco Aurélio

 

 

Ter problemas é normal, as desordens emocionais não são necessariamente doenças. As pessoas procuram gerir um mundo cada vez mais complexo não precisam de ser rotuladas como doentes, pois, na realidade, elas estão apenas a percorrer  um  caminho respeitável  em direcção a uma vida mais digna de ser vivida. 

 

Lou Marinoff

 

 

O aconselhamento filosófico como opção útil para as pessoas insatisfeitas com as terapias psicológicas e psiquiátricas é o tema desta obra de Lou Marinoff, canadiano, doutor em Filosofia da Ciência, pela Universidade de Londres e criador do movimento de aconselhamento filosófico.

 

O autor inicia a sua obra com uma apresentação sumária de algumas ideias chave que constituem a relevância do aconselhamento filosófico, à qual se segue um conjunto de críticas aos psicólogos, psiquiatras e alguns técnicos de saúde mental.Marinoff apresenta o conselheiro filosófico como um técnico de filosofia, o aconselhamento filosófico como terapia para as pessoas saudáveis, em que o efeito terapêutico é proporcionado pelo diálogo, pela troca de ideias, assim como pela avaliação de visões do mundo.

 

Se enfrentamos conflitos ético-profissionais, familiares, a morte de um ente querido ou mesmo se queremos encontrar um sentido e caminho para a vida, por que não aproveitarmos os milhares de anos de pensamento filosófico à nossa disposição?

 

Os grandes filósofos legaram-nos um conjunto de ideias e orientações às quais podemos recorrer para encontrar uma resposta para as nossas inquietudes. Uma questão poderá estar neste momento a emergir no espírito do leitor: como é possível utilizar o espírito crítico e a autonomia de pensamento, atitudes inerentes a qualquer reflexão filosófica, se orientarmos a nossa vida a partir do pensamento dos nossos antepassados?

 

Marinoff considera infundada esta preocupação, argumentando que encara esta sabedoria milenar apenas como estímulo para uma reflexão autónoma e assume que o conselheiro filosófico se limita ao papel de guia e facilitador de um diálogo, que nos conduzirá a uma melhor compreensão do mundo e de nós próprios. “Com quem vier consultar-me, poderei discutir pensamentos de Kierkegaard sobre a forma como encarar a morte, as ideias de Ayn Rand acerca da virtude do egoísmo ou o conselho Aristotélico de procurar a razão e a moderação em todas as coisas. Podemos dar uma olhadela à teoria da decisão em I Ching (o livro das Mutações), ou à teoria da razão prática em Kant. Conforme o seu problema podemos analisar as ideias filosóficas mais aplicáveis a cada situação, escolhendo aquelas que a pessoa se sentir mais aplicada a aceitar. (…) O meu papel é o de guia para iluminar as suas próprias ideias novas”, afirma Marinoff.

 

O autor denuncia as insuficiências das terapias psicológicas e psiquiátricas, que no seu entender conduzem os problemas para o reino da objectividade ou mesmo para o laboratório de investigação científica. Na perspectiva deste filósofo, na década de 80, os psiquiatras calculavam que 1 em cada 10 americanos estava mentalmente doente. Na década de 90, 1 em 2. “Em breve serão todos, excepto claro os psiquiatras”, ironiza. Apesar das duras críticas dirigidas às técnicas de saúde mental já mencionadas, Marinoff tem consciência que quando executadas por profissionais competentes estas são eficazes. Mas, na sua opinião, mais eficazes se tornam quando aliadas ao aconselhamento filosófico. Este é, segundo o autor, uma abordagem mais completa e dá-nos respostas à maior parte das problemáticas que invadem o ser humano.

 

De seguida, o nosso autor apresenta-nos o método utilizado no aconselhamento, que ele denominou “Processo Peace” (problema, emoções, análise, contemplação, equilíbrio). Este método ajuda-nos a lidar com os nossos problemas da vida quotidiana. O método consiste em identificar o problema, expressar emoções de forma construtiva, analisar as opções, contemplar a posição filosófica que ajude a pessoa a escolher e viver com a melhor opção e finalmente alcançar o equilíbrio pessoal. “Praticar filosofia significa explorar o seu universo interior. Você é a pessoa mais qualificada para empreender essa viagem de auto descoberta”. Essa viagem far-se-á no Universo do pensamento filosófico. Viajamos até à Grécia antiga e dialogamos com Platão, ou se preferirmos até uma França moderna onde encontraremos Descartes, que nos ensinará certamente que devemos empreender uma viagem pela dúvida antes de abraçarmos as certezas. Viagens essas que poderão ser intermináveis pelo menos para os espíritos ávidos de conhecer uma pluralidade de perspectivas de vida que enriqueçam os seus espíritos e terminem de forma saudável com todas as inquietações, angústias inerentes ao seu espírito. Marinoff acredita poder ajudar a resolver os problemas de todos aqueles que têm inquietudes de raiz filosófica. A solução está no aconselhamento filosófico e não na terapia nem na farmacologia.

 

Só o primeiro os ajudará a levar uma vida mais equilibrada.

 

Podemos concluir que todo o ser humano tem dentro de si um potencial filosófico e só necessita de ser “iluminado” para o retirar do seu invólucro. Dialogue com Platão e deixe de tomar Prozac!

Amélia Flor

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