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ROLAND BARTHES
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Roland Barthes nasceu dia 12 de Novembro de 1915, em Cherbourg, Normandia - faleceu dia 23 de Março de 1980, em Paris, França. Nesse intervalo foi escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês.
Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum.
Enquanto crítico literário francês e inspirado na linguística de Saussure e Bloomfield, funda a revista Théâtre Populaire, é o animador do movimento da Nova Crítica e trabalha como director de estudos na École Pratique des Hautes Études. A sua obra, ampla e variada, caracteriza-se inicialmente pela reflexão sobre a condição histórica da linguagem literária (O Grau Zero da Escrita). Em diversos livros tenta demonstrar a pluralidade significativa de um texto literário e a sobrevalorização do texto em vez do signo (S/Z; Sade, Fourier, Loyola; O Prazer do Texto; etc.). Como sociólogo pertence à corrente estruturalista que caracteriza uma boa parte da intelectualidade francesa durante duas ou três décadas. Há que citar também, entre as suas obras, Mitologias, Ensaios Críticos, Roland Barthes por Roland Barthes (autobiografia irónica) e Fragmentos de Um Discurso Amoroso (estudo linguístico sobre o sentimentalismo).
Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adoptados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.
Segundo Barthes, "em literatura, que é uma ordem da conotação, não há questão pura: uma questão nunca é senão a sua própria resposta esparsa, dispersa em fragmentos entre os quais o sentido funde e foge simultaneamente." ("Literatura e significação", in Ensaios Críticos, Edições 70, Lisboa, 1977, p.359). Esta afirmação de Barthes, se verdadeira, pode contudo conduzir à falsa ideia de que a literatura é a porta aberta para todos os desvios da norma linguística, o que implicaria, no imediato, o acesso ao mundo fantástico da livre expressão que a criação conotativa subentende. Nem a conotação é invenção de sentidos, nem a literatura é a única porta aberta para a criação conotativa, uma vez que a linguagem corrente e as linguagens não literárias usam-na também (veja-se o exemplo do discurso publicitário que vive dos duplos sentidos, da polissemia e da conotação).
Paula Patrícia |








