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Dia da Filosofia 2006 - Saul KRIPKE, por Aires Almeida

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Saul KRIPKE

 

 

O MAIOR FILÓSOFO VIVO

 

Quem é o maior filósofo vivo? A maioria dos filósofos do mundo inteiro talvez não hesitasse em responder: SAUL KRIPKE, o génio filosófico americano, nascido no estado do Nebraska em 1940, filho de um rabi judeu.

 

Kripke é provavelmente o mais estudado, discutido e citado filósofo dos últimos cinquenta anos. É disputado pelas mais prestigiadas universidades do mundo e as poucas conferências que profere originam verdadeiras romarias de filósofos e estudantes de vários países.

 

O impacto de Kripke na filosofia contemporânea não está, de modo algum, relacionado com extensão da sua obra. Até porque apenas publicou dois livros e cerca de uma dúzia de ensaios em revistas de filosofia. Tal impacto deve-se antes ao carácter inovador das suas ideias e à subtileza dos seus argumentos. De resto, a sua inteligência prodigiosa, bem como o rigor, clareza e sofisticação das suas ideias e argumentos tornaram-no uma figura lendária. 

 

Tinha apenas dezasseis anos quando escreveu um artigo invulgarmente inovador sobre lógica modal, que viria a ser publicado pela mais prestigiada revista internacional de lógica, o Journal of Symbolic Logic, com base no qual acabou por ser convidado para trabalhar na famosa universidade de Princeton. Recusou o convite alegando que a sua mãe lhe disse que tinha primeiro de concluir a escola secundária. Depois de terminar o seu curso na universidade de Harvard, chegou a afirmar que nada lá aprendeu que não soubesse já ou que não pudesse descobrir lendo simplesmente.

 

A sua grande obra, Naming and Necessity, um dos grandes clássicos do séc. XX, não foi escrita por si, pois é a transcrição de três conferências que proferiu sem qualquer suporte escrito (como sempre fez) quando tinha 32 anos. Essas conferências foram gravadas e transcritas por outros, limitando-se Kripke a fazer a sua revisão antes de serem publicadas em livro. Este livro foi o responsável pela enorme revitalização da disciplina filosófica tradicional da metafísica, além de trazer contributos únicos para disciplinas como a lógica, a filosofia da mente e a filosofia da linguagem.

 

Mas que ideias tão revolucionárias se podem encontrar no livro? Em primeiro lugar, mostrou de forma concludente que as ideias, tidas como consensuais desde Kant, de que todas as verdades necessárias são a priori e de que todas as verdades contingentes são a posteriori estão erradas. Há, pois, verdades necessárias a posteriori, como a verdade de que a Estrela da Manhã é a Estrela da Tarde (que é uma verdade necessária, mas descoberta pela experiência); e há verdades contingentes a priori, como a verdade de que a barra de metal que está guardada em Paris (e que serviu de padrão para definir o metro) tem um metro de comprimento (esta é uma verdade contingente porque se a barra usada fosse outra não teria um metro, mas é a priori porque sabemos por definição que tem um metro). Em segundo lugar, apresentou uma teoria causal da referência dos nomes próprios, opondo-se às teorias dominantes de Frege e Russell. Em terceiro lugar, desenvolveu argumentos inovadores contra a tese materialista de que qualquer facto mental pode ser reduzido a algum facto físico. Em quarto lugar, deu um contributo importante para o desenvolvimento da lógica modal (a lógica que opera com as noções de necessidade e de possibilidade).

 

No outro dos seus livros propôs uma leitura completamente inovadora da filosofia da linguagem de Wittgenstein. Esta leitura foge de tal modo ao que era usual atribuir-se a Wittgenstein, que se passou mesmo a falar de um novo filósofo: Kripkenstein.

 

Kripke ganhou em 2001 o Prémio Shock, uma espécie de prémio Nobel da filosofia. É professor nas universidades de Princeton e da Cidade de Nova Iorque. 

 

Aires Almeida 

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