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KARL POPPER
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Karl Raimund Popper (1902 – 1994) nasceu e formou-se em Viena, onde viveu mais de 30 anos. Andou na roda do Círculo de Viena, partilhando o interesse pelos fundamentos e metodologias das ciências naturais, mas sem fazer parte integrante dele. Fugiu ao nazismo para a Nova Zelândia e no final da guerra foi para Inglaterra onde leccionou Lógica e Método Científico na London School of Economics.
A obra de Popper teve um grande impacto no século XX, nomeadamente na Filosofia, na Ciência e na Política.
Popper foi um dos filósofos que contribuiu para ultrapassar a concepção positivista da ciência e para fazer surgir uma nova filosofia da ciência, defendendo que não há processo de indução que possa confirmar as teorias científicas. Por detrás da ideia de indução está a convicção errada de que o investigador pode fazer uma observação isolada e experimentar a realidade sem pressupostos e sem preconceitos. Tanto na vida diária como na ciência a observação não é o primeiro passo, há sempre algo que oriente o conhecimento. É falso, para Popper, que o cientista parta de observações, tentando generalizá-las. O método científico baseia-se numa tentativa de provar a falsidade (e não a verdade) das hipóteses de que parte, testando-as para ver se resistem a hipóteses contrárias.
Um resultado científico não é justificado ou verificado. Só pode ser criticado e testado, aparentando ser uma aproximação melhor da verdade do que as teorias rivais. O falsificacionismo é a actividade científica que consiste na tentativa de falsificar as teorias. Por isso a aceitação de uma teoria é sempre provisória.
No âmbito da filosofia política Popper tomou uma posição muito crítica contra o monopólio das verdades políticas e das doutrinas salvadoras. Considera a livre concorrência das opiniões na democracia, como a fonte de política racional.
Defende uma sociedade aberta, que é uma concepção política que consiste numa hipótese que tem de ser revista constantemente no confronto com a realidade – tem de ser aberta à inovação e à autocrítica. É por isso que critica Platão, Hegel e Marx. Segundo Popper, não se pode provar que uma concepção política seja a melhor, mas podem ser comprovados os seus erros, os seus defeitos. A concepção de uma sociedade perfeita é utópica e perigosa, porque leva à ditadura.
Lázaro Fernandes |








