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Dia da Filosofia 2006 - HERACLITO, por Luís Gonçalves

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HERACLITO

 

 

Da velha Éfeso (hoje em ruínas, na província da Anatólia da actual Turquia), é natural aquele a quem presto homenagem neste Dia Mundial da Filosofia.

 

De seu nome Heraclito (Ἡράκλειτος), dos “filosofoi” que antecederam “o mestre” Sócrates, é apenas um dos mais ilustres e dos mais marcantes da aurora da Filosofia.

 

Do seu pensamento, chegaram até nós Fragmentos, cerca de 125, escritos num estilo enigmático, alegórico, misterioso até, que convida o interlocutor a fazer uma descoberta pessoal do que o efésio queria dizer. É neste desafio que o legado heraclitiano lança (ontem como hoje), que se alicerça o fascínio, a permanente interrogação, a descoberta, a surpresa de um outro sentido nas sentenças tantas vezes lidas, que justifica esta minha escolha.

 

Do famoso Fragmento 91 “Não me posso banhar duas vezes na água do mesmo rio”, passando pelos Fragmentos 30 “Este mundo, que é o mesmo para todos, não o criou nenhum dos deuses ou dos homens, mas sempre foi, é e será fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida” e 41 “Existe somente uma sabedoria: conhecer a inteligência, que tudo governa, penetrando em tudo” até ao 101 “A mim mesmo me procurei”, só para falar em alguns dos mais estruturantes do filosofar à maneira de Heraclito (se me é permitido dizê-lo), vamos sendo convidados a dialogar com ele de uma forma dialéctica, em permanente construção e reconstrução do interrogar e do reflectir.

 

À boa maneira camoniana, que em plenos anos 1500 d.C. nos sugere “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades … O mundo é feito de mudança”, Heraclito, o filósofo de 500 a.C., antecipa um dos principais problemas de toda a reflexão filosófica – o problema da Mudança, da Transformação e do papel motriz desta, na compreensão do mundo, do outro e de si mesmo, desideratos que a Filosofia e os filósofos perseguem desde sempre.

 

Ao associar a Mudança ao Fogo (símbolo maior da inteligência humana, furtado aos deuses por Prometeu, segundo a lenda) Heraclito consegue simultaneamente tornar clara a sua mensagem (o Fogo é só um dos elementos mais mutáveis) mas também manter viva a necessidade de procurar mais além do que se vê, ir para lá do imediato da imagem, que deverá ser uma marca inconfundível de um qualquer percurso filosófico: a clareza do que se quer dizer e a busca sempre incessante do encoberto, do desconhecido…

 

Não o faz contudo sem uma recomendação “A mim mesmo me procurei” na busca da “inteligência que tudo governa”, o que não deixa de ser um vigoroso roteiro de vida daquele que aceita dialogar com a filosofia na sua vida: Conhece-te a ti mesmo e esse será o ponto de partida para a compreensão da sabedoria que encontrarás presente em todas as coisas.

 

Dois mil quinhentos e seis anos depois, Heraclito “O Obscuro” é a meu ver um interlocutor privilegiado para a celebração do Dia Mundial da Filosofia. Assim saibamos responder aos seus desafios.   

 

Do mundo virtual surgem dois convites para aqueles que queiram aventurar-se e partir ao encontro de Heraclito e do seu pensamento:

 

http://philoctetes.free.fr/heraclite.pdf  http://greciantiga.org/fil/fil05d.asp

 

L.G.

Hojy – ia – Henda 

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